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Estreando o novato

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O segundo sábado após o início das aulas era conhecido por ser a data fixa da primeira festa da turma de Administração. Entretanto, desta vez as coisas foram diferentes. – Esse ano não teremos festa enquanto o Caio não estiver com a gente. – disse Marcelo em uma reunião improvisada ao final da aula de sexta-feira, no meio da sala de aula. – Ah, não! E quando ele volta? – quis saber Bruna. – Acho que segunda ou terça-feira da semana que vem. Ele está dando uma força para o pai e a gente sabe que Caio tem o dom de conseguir os melhores lugares. Então, vamos esperar o cara voltar e a gente organiza tudo. Todos foram embora reclamando e Heitor ficou na sala conversando com o professor sobre uma matéria que iria fazer no período da manhã. Quando ele saiu da sala, encontrou Talita o esperando do lado de fora. – Pensei que iria ficar para sempre lá dentro com o Carlão.  – Nem posso. Tenho que ir para casa. Ele acelerou o passo e Talita também andou mais rápido até alcançá-lo e colocar a m...

O livro das flores

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Na terça-feira à noite, o silêncio na turma de Caio era enorme. Todos já sabiam da morte da avó do colega e, respeitosamente, direcionaram os melhores pensamentos para ele. Os professores começaram a passar cronogramas de aulas e matérias e Heitor, bastante sensibilizado pelo luto do seu único colega na turma até o momento, pegou o número de seu telefone com Marcelo e mandou uma mensagem: “Oi, aqui é o Heitor. Fiquei sabendo sobre a morte da sua avó e, apesar da gente mal se conhecer, fico à disposição para o que você precisar”. No final da aula, logo após o intervalo, um dos professores pediu um trabalho em dupla relacionado a um livro que Heitor já tinha lido para outra disciplina da antiga faculdade. O grupo de amigos dele começou a se dividir e ele sugeriu: – Galera, eu já li esse livro e fiz um trabalho bem parecido. Acho que posso ajudar o Caio e fazer dupla com ele nessa. – Quem vai se dar bem é o Caio, pegando um trabalho quase pronto. – disse Marcelo – Mas, ok. O cara está num...

A hora do adeus

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Todos que estavam na praça naquele momento começaram a gritar e Marcelo bradou: – O que é isso? O cara chegou hoje e já pegou uma veterana logo de cara. Até o fim do ano, vai passar o rodo em todas as meninas do curso. Talita saiu irritada e, tentando fingir naturalidade, foi em direção ao estacionamento onde estava seu carro. Bruna soltou Heitor e disse baixinho em seu ouvido: – Matei dois coelhos com uma cajadada só! O pai de Bruna chegou, Heitor colocou as cervejas no carro e ela se despediu dando um sorriso para ele. Marcelo se aproximou e disse: – Boa garoto! Só toma cuidado com quem você colocar na sua listinha para não arrumar problemas. Heitor ficou sem graça e não disse nada. Na sequência, ele voltou para a faculdade e encontrou a irmã no portão esperando por ele. – Finalmente, Heitor! Onde você estava? Estou te ligando há uns trinta minutos e você não atende. – Estava esperando o trote acabar. Nem senti o telefone vibrar. Desculpa! – Papai está preocupado. Vamos embora. – Eu ...

O ciúme de Bruna

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Heitor retribuiu o beijo e Talita começou a passar a mão em seu corpo. – Aqui não. – disse ele – pode chegar alguém. – Não vamos fazer nada demais. E eu prometo que faço uma boa propaganda sua para as outras meninas. – Mas, você está com o irmão do Caio, o tal Vitor. E se ele descobrir? – Só se você comentar alguma coisa… E, no mais, a gente está brigado desde ontem e demos um tempinho. Além disso, até onde eu sei, nós só estamos ficando, não tem nada demais. Talita começou a beijar Heitor novamente e suas mãos seguiram explorando o corpo do novato. Ele se rendeu e começou a explorar o corpo da sua colega de turma que, percebendo a excitação do outro, disse: – Vamos deixar isso só um pouco mais quente? Ela se abaixou e começou a morder carinhosamente a barriga de Heitor que, animado com a situação, começou a abrir o zíper de sua bermuda quando ouviu a voz de Bruna: – Talita, você tirou o novato de perto de mim só para ficar com ele aqui no seu carro? *** No hospital, Vitor e Caio foram...

Enquanto isso, no trote estudantil

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Sônia apertou as mãos de Rosária e disse: – Logo os meninos estarão aqui. Eles foram até a nossa casa pegar algumas coisas que vamos precisar e daqui a pouco voltarão. Rosária ficou em silêncio por algum tempo olhando para o teto do quarto enquanto Gilberto olhava docemente e ficava ao seu lado, como um cão de guarda. Por fim, ela adormeceu e sua esposa se aproximou dizendo: – Eu mandei um áudio para os meninos e disse para eles se apressarem. Também enviei uma mensagem para a minha irmã e ela já está a caminho. Pouco menos de duas horas depois, Vitor e Caio estavam de volta ao hospital e foram para o quarto. Encontraram a avó dormindo enquanto os pais observavam um pedacinho da noite paulistana pela janela do quarto. – Nós trouxemos duas malas pequenas com as coisas de vocês. Pegamos tudo o que a mamãe indicou, trouxemos dois carregadores e os dois notebooks também. – disse o primeiro. – Ah, que bom, meu filho. Eu acabei esquecendo de pedir os computadores, mas ainda bem que pensaram ...

Memórias

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O médico caminhou até uma poltrona disponível, se apresentou e Gilberto, muito triste, apresentou a família. Logo depois, o profissional disse: – Nós fizemos o possível para trazer a melhor notícia possível para vocês e o que eu tenho para dizer hoje é que a paciente Rosária está com todo o suporte necessário para que os cuidados paliativos tenham os melhores resultados, pois, infelizmente, os exames dela ao longo das últimas semanas e as avaliações preliminares que fizemos após a internação de hoje mostram que a quimioterapia não surte mais nenhum efeito. Estamos monitorando a paciente de forma ininterrupta e, por enquanto, isso é a única coisa que podemos falar. – Doutor, é… E quanto tempo a minha avó… Vai ficar sob os cuidados paliativos? – quis saber Vitor. – Não tenho essa informação no momento pois não sabemos e nem podemos calcular algo nesse sentido. Ela pode ficar por um dia, uma semana, três meses… Só o corpo dela sabe até quando consegue suportar e, para quem acredita, quand...

Os últimos instantes de uma vida

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Bruna novamente se aproximou de Heitor e disse: – Heitor, vem comigo pois vou comprar umas cervejas ali no mercado. Ele saiu de uma espécie de transe e seguiu com Bruna. No caminho, não conseguia esquecer a visão de pouco tempo antes. Ele não sabia o nome, mas, dentro de si, torcia para descobrir em breve. Não conseguia esquecer aquele corpo esguio claro, o cabelo preto penteado, os óculos redondos, o discreto cavanhaque e, por algum motivo, o gesticular nervoso, demonstrando ansiedade. Queria voltar logo para junto dos outros colegas de sala e reencontrar aquele que fez sua mente parar por alguns segundos. – Pega umas quatro garrafas de água. – disse Larissa interrompendo os pensamentos do seu colega. Após passarem pelo caixa, eles voltaram para perto do grupo e a primeira ação do novo membro da turma foi procurar o rapaz que havia visto antes, mas não encontrou. Pensou em perguntar para Larissa quem era o tal jovem, mas não encontrou nenhum motivo para justificar o questionamento. En...

Os primeiros dias do resto de nossas vidas

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Marina deu um sorriso e disse: – Ué? O Flávio não era o seu melhor amigo na faculdade e você falou ontem que está inseguro com o lance de começar em uma turma nova no último ano. Lembra? – Ah, sim! Eu nem lembrava disso. Acho que já estou começando a esquecer a vida que eu tinha no Paraná. – disfarçou Heitor. – Esquecer, acho que ainda não. Mas, deixar para trás, com certeza! Agora, vou para a cozinha e te espero lá em 15 minutos. Quero sair, conhecer São Paulo… Vai logo! Heitor pegou o celular, respondeu a algumas mensagens, foi para a cozinha, tomou café logo depois e tomou um banho rápido. Vestiu a primeira roupa que encontrou na mala, foi para a sala e encontrou a irmã o esperando. – Tomem cuidado! – advertiu a mãe quando os dois estavam abrindo a porta da sala. Os irmãos andaram por diversos pontos da nova cidade, tiraram diversas fotos e voltaram para casa quando a noite começou a cair. Os dias seguintes foram dedicados ao início da arrumação da casa e até o início das aulas, na ...

Recomeços

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Heitor olhava encantado para os diversos pontos iluminados que via da janela de seu quarto, como se fosse um tapete de estrelas artificiais estendido na superfície da Terra. Marina chegou por trás e disse: – Essa cidade é demais! A gente vai se dar muito bem aqui. – percebendo o irmão em silêncio, ela provocou – Tá com essa cara porque? – Só estou pensando na vida que deixei no Paraná e em como vai ser para começar em uma turma nova no último ano da faculdade. Fora o tanto que vou ter que ralar para fazer a adequação da grade. – Affe, Heitor! Para de se preocupar com isso agora. Você entra na sala, escolhe um lugar para sentar, presta atenção na aula e em menos de duas semanas você se enturma. Só isso! Depois você vê os calendários das aulas que você precisa participar e pronto. – Parece fácil na teoria, mas na prática é bem diferente. Como eu vou colar grau com pessoas que eu mal conheço? E a festa de formatura? – Relaxa e pensa no lado positivo, você pode participar da sua festa de f...

Nem sempre dá para resistir mais uma vez

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Heitor olhou assustado para amigo e disse: – O que você está fazendo aqui só de cueca, cara? Natalie se aproximou dos dois e disse: – Ah, não, Flávio! – O quê? Não está bom assim? Se vocês preferirem, eu tiro a cueca! Assim entro com tudo, ou, melhor, entro sem nada, e prontinho, no clima do casalzinho. – Como você consegue ser tão inconveniente? Toma jeito, cara! Você vai ser pai, tem uma noiva… – disse ela. – Como você subiu aqui, Flávio? – perguntou Heitor. – Meu pai é dono do hotel, esqueceu? E umas carteiradas aqui e ali ajudam a resolver qualquer coisa. – Sai daqui, Flávio! – disse ela tentando fechar a porta. – Você quer continuar a festinha sem mim, Natalie? – disse Flávio segurando a porta com a mão. – Para mim chega! Eu vou embora! Heitor, tudo o que eu disse é verdade, mas não vou conseguir me despedir do jeito que eu queria. Boa sorte na nova cidade! – ela pegou a bolsa e saiu do quarto. – Melhora essa cara para não assustar o pessoal da recepção. – disse Flávio em tom de d...